22 de Mai 2015

BEATIFICAÇÃO DE DOM ROMERO

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A cerimônia de beatificação de Dom Romero será presidida neste sábado (23/05), pelo enviado do Papa Francisco, o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, em San Salvador, capital salvadorenha.

Segundo Dom Paglia, o exemplo de Dom Romero causou uma admiração extraordinária na Igreja Católica e a sua morte e o seu testemunho tocaram muitos cristãos de outras confissões. As Nações Unidas, proclamaram 24 de março, dia em que foi assassinado, dia internacional para o direito à verdade sobre as graves violações dos direitos humanos e a dignidade das vítimas.

O mundo mudou muito depois de 1980, quando Romero foi assassinado para calar a sua voz. “Hoje, a sua voz ressoa ainda mais forte. A sua beatificação sob o pontificado do primeiro papa latino-americano dá ao testemunho de Romero uma força particular. A afirmação do Papa Francisco: ‘Como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres’, une fortemente Romero ao hoje da Igreja e à sua missão. Romero escolheu o povo e o povo escolheu Romero. Ele sentia o cheiro das ovelhas e elas escutavam a sua voz e o seguiam”, destaca o prelado italiano na nota.

“Romero era um homem de Deus, um homem de oração, um homem de obediência e amor pelas pessoas. “Rezava muito e era severo consigo mesmo, ligado a uma espiritualidade antiga formada de sacrifícios, penitências e privações. Na oração encontrava repouso, paz e força. Poucos dias antes de ser assassinado escreveu: ‘Temo os riscos aos quais estou exposto. Custa-me aceitar uma morte violenta que nestas circunstâncias é muito possível. As circunstâncias desconhecidas serão vividas com a graça de Deus. Ele sustentou os mártires e, se for necessário, o sentirei muito perto ao oferecer-lhe o último suspiro’. Era indiscutível a sua fidelidade ao magistério, em particular o das últimas décadas depois do Concílio, do qual se tornou um divulgador em El Salvador”.

Poucos meses antes de morrer, Romero visitou Roma e escreveu: ‘Esta manhã fui novamente à Basílica de São Pedro e junto aos altares, que amo muito, de São Pedro e seus sucessores atuais deste século, pedi insistentemente o dom da fidelidade à minha fé cristã e a coragem, se fosse necessária, de morrer como morreram todos esses mártires ou de viver consagrando a minha vida como consagraram esses modernos sucessores de Pedro’.

Sobre o tema do martírio refletiu também em relação aos muitos sacerdotes, religiosos, catequistas e fiéis mortos pela violência que envolveu o seu país, somente porque falavam de Evangelho, paz e justiça.
Romero acreditava em sua função de bispo. “Ele se sentia responsável pelo povo oprimido. Carregou sobre si o sangue, a dor e a violência que o povo sofria denunciando as causas em sua pregação dominical ouvida por toda a nação através do rádio. Era um bispo defensor dos pobres segundo a antiga tradição dos Padres da Igreja”, sublinha ainda Dom Paglia.

O clima de perseguição era palpável no país. Depois de dois anos de episcopado na Arquidiocese de San Salvador, Romero contava trinta sacerdotes desaparecidos, entre mortos, expulsos ou levados para outro lugar para escapar da morte, e centenas de catequistas mortos e fiéis desaparecidos.

“Os mandantes de seu assassinato com a sua morte queriam fazer calar a Igreja do Concílio Vaticano II. Por isso ele foi morto no altar. A sua morte foi perpetrada por ódio à fé porque, como mostra o estudo realizado no processo de beatificação, ela foi causada não por motivos somente políticos, mas por ódio a uma fé que, permeada de caridade, não se calava diante da opressão do povo. Romero nos recorda que não se pode separar a Eucaristia dos pobres e o Papa Francisco não se cansa de mostrar isso com palavras e gestos”, conclui o arcebispo italiano.

Fonte: radiovaticana.va

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